Em ano de comemoração de 35 anos de carreira Edu Falaschi encerra a trilogia musical, começada com Vera Cruz e seguida por Eldorado, com o álbum Mi’raj que traz a conclusão de uma história que fala sobre um Brasil mistico, fala do povo latinoamericano e nos leva até o oriente médio.
Falar de Mi’raj e não falar de seus antecessores não seria justo. Por mais que todos possam ser ouvidos separadamente, ouvir os três álbuns em sequência mostra suas peculiaridades sobre cada um e como as músicas “batem” diferente.
Vera Cruz, lançado em maio de 2021, é um álbum mais “pesado” e rápido, que puxa na lembrança sua época de Angra, sem perder o lado melódico que faz parte da história, e do gosto, do cantor. Um dos destaques do disco é a música “Rainha do Luar”, que Edu convida Elba Ramalho para participar da faixa— e mostrando que a rainha poderia ter o próprio álbum de metal sinfônico — e que em seu DVD ao vivo é uma das cenas mais icônicas de sua carreira.
Eldorado, lançado em agosto de 2023, tem uma virada de chave que transformou em meu álbum favorito dessa trilogia, as faixas com introduções em instrumentos típicos da américa latina, as baladas bem construídas e os riffs mais pegajosos me cativaram bem mais do que eu esperava. Destaque pra faixa que leva o nome do álbum e “Sacrifice”, com riffs e refrões tão gostosos de ouvir que estão em looping sempre por aqui.
Mas e o Mi’raj? Bem, ele encerra de forma maestral essa história.
O álbum compele todos os 35 anos de carreira em nove faixas, que para mim, consegue me explicar o porque acho um dos maiores músicos que temos no metal brasileiro. Edu não tem mais o range vocal de outrora mas consegue alcançar notas altas, sempre respeitando o seu limite, e criando melodias que cativam.

O equilíbrio entre o power e o melódico é perceptível principalmente na faixa título “Mi’raj” que tem a participação de Veronica Bordacchini, vocalista da banda italiana Fleshgod Apocalypse, principalmente nos refrões que mostram a força da união dos cantores.
Um dos destaque fica com “Intuição”, a única música em portugues do disco e com a participação da guitarra de Rafael Bittencourt. A presença do líder do Angra, antes brigado com o ex-vocalista e agora de volta amigos, chega a ser catártico após ver ambos juntos nos palcos novamente.
Roy Khan, ex-Kamelot, tem a participação em “Circle of Dust” em uma faixa que me deixou com a sensação de um encontro épico. A voz pesada mas suave, que o levou a ser conhecido na sua antiga banda, mas ainda assim dando aquele suavidade necessária para diferenciar da voz mais “rasgada” de Edu.
Mi’raj é um encerramento à altura a este projeto e ao Edu Falaschi, que comemora seus 35 anos de carreira com uma discografia própria de peso e que mostra seu talento e tamanho para a música e, principalmente, ao metal.
