Ozzy Osborne: O Príncipe do Heavy Metal

Ozzy Osborne: O Príncipe do Heavy Metal

Texto por Bruno Antonucci, revisão por Nathasha Ferreira

John Michael Osbourne nasceu em três de dezembro de 1948 na cidade de Birmingham, e cresceu em Aston. Filho de Lilian e John Thomas “Jack”, tinha 5 irmãos, sendo três irmãs mais velhas e dois irmãos mais novos. Viviam numa pequena casa de dois quartos. O apelido OZZY veio na infância, enfrentou a dislexia e seu sotaque era descrito como um “hesitant Brummie” ou traduzindo literalmente “morador de Birmingham hesitante”.

Já aos 14 anos, Ozzy dizia que os Beatles foram a inspiração para ele perceber que seria um astro de rock pela vida inteira. Aos 15 anos ele saiu da escola e foi trabalhar em diversos empregos mas, como disse em uma entrevista à BBC News antes de subir ao palco para o até então último show do Black Sabbath, em fevereiro de 2017, se cansava deles muito rápido.

O nome Black Sabbath, aliás, nasceu em 1969, quando os integrantes Tony Iomni, Bill Ward, Geezer Butler e Ozzy estavam passeando pela cidade Natal da banda e passaram em frente a um cinema, onde viram em cartaz um filme chamado “Black Sabbath”. Ozzy e Tony se indagaram “as pessoas pagam pra ver isso? para sentir medo?”. Mal sabiam a tendência do século 21 e que o nome os inspiraria na decisão de tocar um estilo de blues pesado, permeado por sonoridades e letras sombrias.

Black Sabbath no Piccadilly Circus, Londres/1970 – fonte: Wikipedia

Na mesma entrevista à BBC News, Ozzy afirmou que “quando você está no olho do furacão você não percebe o que está acontecendo”.  O álbum de estreia “Paranoid” de 1970 ajudou a moldar o que é o heavy metal. Para eles, era uma oportunidade de se juntar, tocar, tomar uma cerveja e se divertir. Para muitos, foi a mesma chave que o Beatles virou em Ozzy.

Assim nascia o Heavy Metal.

Assim nasceu o Príncipe das Trevas.

Em 22 de julho de 2025 Ozzy Osbourne partiu, mas deixou um legado que vai muito além das polêmicas, das confusões e do “caos” que o cercava. Em seu reality show, The Osbournes, as pessoas viram a vida pessoal de uma família como outra qualquer, que briga, que chora, que vive junto. Isso no início dos anos 2000, trazendo uma nova visão sobre o cantor e sua família.

Saía o cantor que tinha mordido, sem querer, a cabeça de um morcego e conhecíamos o pai, o marido, o ser humano. Nós sabemos muito bem que ele não era nenhum santo e ninguém quer ou vai santificá-lo. Ele não queria ser santificado. Ele sabia o quão problemático era. O quão humano ele era.

Me lembro que noo documentário “God Bless Ozzy Osbourne”, os relatos dos membros do Black Sabbath e da sua família falam sobre o vício em drogas e bebidas. Quando Ozzy fala de seu pai, admite a falta que sente dele e que gostaria de ter tido uma conversa “homem a homem” com ele. Mas estava tão viciado na época que seu pai faleceu que isso se tornou impossível. 

E quanto mais eu entrava na história dele, no que ele passou, em como ele levou anos para ficar sóbrio e mudar como pessoa, mais e mais eu fui vendo: nós somos humanos. Nós vamos errar.

Eu sempre me questionei o porquê o “fora do normal” ser algo tão mal visto, é uma questão que eu me faço desde criança. O diferente assusta, mostra tudo aquilo a mais que você poderia ser e talvez nem queira ser. O apelido “Madmen”, que Ozzy ganhou em sua carreira, pode até ter trazido um estigma de louco. Mas ele não era louco.

Ele era humano. 

As suas letras representavam a sua humanidade e o que ele pensava. Foi acusado de incentivar o suicidio na música “Suicide Solution”, do seu primeiro disco solo “Blizzard of Ozz”, sendo que a música fala dos riscos do alcoolismo (irônico? sim) e sua inspiração foi a sua própria experiência e o falecimento precoce do Bon Scott do AC/DC.

A identificação e a adoração do público não tem nada a ver com a “loucura” dele. Ele tocava com sua música aqueles que não se sentiam representados pelo que era dito “normal”. Eles se viam representados nas suas letras. O amor à figura do Ozzy Osbourne é muito além das aparências, do estilo de vida ou qualquer situação, boa ou ruim, da sua vida.   

Ao subir ao palco no “Back to Beginning”, Ozzy não estava querendo apenas fazer uma última aparição ao vivo. Ele queria dar aos fãs que tudo deram a ele um pouco do amor que recebeu em todos esses anos. Praticamente em todas as músicas ele repetia “I love you all” ao final. Mal sabia o madman que todos já sabiam disso.

Back to Beginning, Villa park, Birmingham-Uk – Foto por Ross Halfin

Longe de mim querer fazer aqui um vídeo para dizer quem era Ozzy Osbourne mas posso dizer o que ele representou pra mim. 

Sua arte e sua música continuam atingindo as pessoas de formas e maneiras diferentes e em épocas diferentes. A banda que nasceu em 1969 foi se tornar algo importante para pessoas que nem estavam vivas ainda. Transcendeu gerações.

Ozzy Osbourne foi um mentor sem nunca precisar ser, um cara que liderou uma horda de desajustados de todas as classes sociais, gêneros, idades e de qualquer lugar do mundo.

O heavy metal é o movimento resultado de um grupo de caras que não se encontravam numa sociedade que exigia um normal onde eles não se encaixavam – e aí eles foram lá e os desafiaram.

Ozzy nos ensinou que ser diferente é importante. Nos ensinou que não devemos nos colocar em rótulos e caixas porque os outros querem.

Ozzy foi ele mesmo do início ao fim. No seu pior mas também no seu melhor.

E é assim que eu quero lembrar de Ozzy Osbourne.

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