Protest the Hero – Within – Review
Fonte: protestthero.ca

Protest the Hero – Within – Review

Os canandenses do Protest the Hero lançaram seu sexto álbum de estúdio no dua 17/07/2026, produzido de maneira colaborativa entre a banda e Cameron Mclellan, Derya Nagle, Milen Sorace e William Lamoureux, o disco foi mixado por Adam “Nolly” Getgood (baixista do Periphery e produtor). Within é também o disco mais curto da banda, com menos de 36 minutos divididos pelas 8 faixas.

Sobre o conceito do disco, o vocalista Rody Walker disse:

Definitivamente tem uma temática no disco, sobre um retorno para a natureza. Praticamente todas as músicas referenciam isso. A verdade é que metafóras de água e oceanos são muito fáceis. Pacific Myth é sobre como o quão fácil e meio idiota que é. E é tão fácil e tão barato que eu acidentalmente continuo repetindo isso, de novo e de novo.

O disco abre com a faixa Mouthpiece, já deixando claro que o disco vai ser de composições técnicas, pesadas e rápidas, com um refrão pegajoso, e um riff que vai fazer com que muita gente procure transcrições e tablatura, de cara somo recebidos com os excelentes sons das guitarras de Luke Hoskins e Tim McMillar. É o inicio de uma jornada rápida e feroz.

Complexa e mais introspectiva, mas sem deixar de lado o peso e velocidade, Fishhook contém com melodias vocais quase alegres por cima de riffs oitavados, extensões de acordes, passagens acústicas (extremamente curtas) e que servem para apoiar a música. É o tipo de música que apesar da quantidade de camadas, dá para perceber que é possivel fazer uma versão só com violão e voz e não pareceria estranha.

i. above é uma faixa de conexão, orquestrada por William Lamoureux, com cellos e violinos tocando uma curta melodia que emenda diretamente na próxima faixa Grandfather’s Axe.

GrandFather’s Axe é talvez a música mais thrash do disco. Com um riff de abertura e melodias vocais que trazem lembranças de Exodus e Municipal Waste a mente, a música também flerta com melodias mais alt-rock, e vocais do tipo “gang vocals” no refrão. O trabalho de bumbo duplo do baterista de estúdio Nathan Bulla se destaca por todo o disco, mas nessa música especialmente, a sincronia entre os palm-mutes e o bumbo, funciona excelentemente bem. Sem deixar de lado sua veia prog, como por exemplo durante a ponte que é quase uma bossa nova. Grandfather’s Axe é provavelmente o ponto mais alto do disco, na opinião deste que vos escreve.

Se a faixa anterior faz alusão a momentos mais antigos do metal, The Orchard olha para o metalcore e para as coisas mais modernas, e mostra a habilidade dos canadenses em transitar por climas e subgenêros diferentes com uma naturalidade que poucas tem. Extremamente melódica e com linhas de bateria que lembram momentos dos anos 2000 e coisas até mais puxadas para as variações mais pop do punk, The Orchard é um contraste interessante com Grandfather’s Axe e apesar da diferença entre elas, a sequência funciona.

ii. below é outra faixa de conexão, também curta, instrumental e orquestrada, aqui sendo mais esparsa e um pouco menos melódica, flertando com o minimalismo em alguns momentos. A faixa faz um crossover com a seguinte Liberty Spike.

Liberty Spike é direta, pesada, rápida e com momentos de vocais guturais. O que não gostar? É uma música com camadas, como todas, mas não dá sossego, entre a batida constante, o riff e os longos momentos de vocal, é bem interessante, mas não é o melhor do disco. Entendo que o disco já é curto, mas essa faixa por alguns momentos acaba ficando mais longa do que o necessário.

O encerramento do disco fica por conta de The Mariner, com mais de 7 minutos é a música mais comprida do disco, passa por vários momentos, incluindo acústicos e mais calmos, e funciona como um contraponto a faixa de abertura Mouthpiece, com vocais também melodicos e riffs arpejados sob a harmonia principal. Em vários momentos dá para perceber o cuidado de Nolly com a mixagem, especialmente do baixo, que corta por baixo das guitarras em vários momentos. O outro da música poderia muito bem ter sido separado e chamado de iii, mas no contexto de encerramento faz bastante sentido deixar como parte de The Mariner.

No fim das contas, o Protest the Hero lançou um disco que é feroz, rápido, melódico, extremamente bem produzido, mas que consegue soar autêntico e pessoal. Um dos melhores lançamentos do ano, e um disco que merece estar na rotação e playlists de headbangers de várias subvertentes do metal. Recomendado.

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