Review: Testament – Para Bellum
Fonte: testamentlegions.com

Review: Testament – Para Bellum

Lançado em Outubro de 2025, Para Bellum é o 14º album de estúdio do Testament, a banda californiana é considerada um icone do thrash metal da Bay Area e um dos maiores defensores do Thrash Metal raiz, sem ter perdido a velocidade e agressividade com o passar das décadas.
Mixado por Jens Bogren (que já trabalhou com nomes como Symphony-X, Trivium e Amon Amarth) e co-produzido pela própria banda juntamente como parceiro de longa data Juan Urteaga (engenheiro responsável por albums como Dark Roots of the Earth e Brotherhood of the Snake),a sonoridade do Testament continua brutal, agressiva e com a violência que já esperamos de Chuck Billy e companhia.

O que pode causar estranheza, porém, aos fãs mais radicais, é que ao contrário de outros trabalhos da banda, dessa vez o Testament decidiu flertar com diferentes sub-gêneros do metal, sem deixar de lado a veia Thrash Metal.

Momentos como For the Love of Pain, que mostra um Testament em forma, e flertando com o Death Metal, mostrando a versatilidade vocal de Billy, que alterna entre diferentes tipo de vocal (fry, gutural e outros), além dos poderosos momentos de bumbo duplo do baterista “estreante” Chris Dovas. E o sempre excelente Steve DiGiorgio (ex-Death) brilha com linhas de baixo que parecem ter sido escritas diretamente para o próprio Chuck Schuldiner.

Um dos pontos altos do album, na minha opinião é a faixa 2, Infanticide AI, primeiro pela temática, a banda se posiciona contra os avanços de inteligência artificial generativa, que é algo que está tirando o emprego de muitos profissionais criativos do mundo, e nessa faixa fica bem claro para quem ainda não sabia que o principal compositor da banda, o guitarrista Eric Peterson, tem um projeto paralelo de Black Metal, que claramente, e ainda bem, está vazando para o Testament, a faixa ainda contém blast beats e um solo curto e eficaz do outro guitarrista Alex Skolnick.

Shadow People é 100% Testament das antigas, Thrash Metal raiz de extrema qualidade.

Com um andamento mais lento, e o uso de violões, Meant to Be mostra toda a entrega emocional de Billy nos vocais, naquele que pode ser considerado outro raro momento na discografia da banda, uma balada.

Em High Noon, a banda mostra que consegue em uma faixa relativamente curta (menos de 4 minutos) entregar peso e brutalidade com uma pegada moderna chegando a lembrar Lamb of God em alguns momentos, mas com a pegada Testament que se espera.

Witch Hunt também é 100% Testament e poderia estar em vários outros discos da banda, com destaque novamente para a energia que Dovas impõe ao andamento e viradas de bateria.

Nature of The Beast, poderia muito bem ser um cover de alguma canção do Motorhead, se não fosse uma canção nova composta pelo Testament. Não é a primeira vez que a banda traça essa linha entre o rock n’ roll rápido e sujo de Lemmy e o thrash violento deles, para quem ouviu e curtiu Blackjack em “Brotherhood of The Snake”,
Nature of the Beast não será surpresa, fãs mais radicais porém, com certeza reclamarão da letra “simples” para os padrões do Testament, mas é claramente uma homenagem. E tal qual Blackjack, considero um ponto alto do disco.

E para completar a chicotada, a próxima faixa é Room 117, que é 100% thrash metal raiz, 110% Testament e 150% recheada de riffs fantásticos de Peterson. Para bater cabeça com vontade e imagino que vá fazer sucesso nos shows.

Havana Syndrome parece ter saído diretamente de Formation of Damnation, e inclusive fazendo referência a excelente “More than meets the Eye”, com mais um solo fantástico de Skolnick.

E para fechar o album com chave de ouro, a faixa-título Para Bellum tem tudo que os fãs querem uma faixa do Testament, riffs cabeludos, solos técnicos, levadas de bateria com bumbos duplos, linhas de baixo com mais peso que chumbo tudo permeado por vocais que incentivam a chutar o amiguinho na roda.

Em resumo, se ainda não está claro, esse disco é uma pedrada, e talvez o melhor disco do Testament desde o Dark Roots of The Earth. Peterson e seus parceiros de crime acertaram a mão e muito.

Thrash metal de qualidade e permeado por pequenos momentos de Black e Death Metal, agressividade e todo o peso e velocidade que já esperamos do Testament.

Absolutamente recomendado.

Ouça Para Bellum abaixo:

https://open.spotify.com/intl-pt/album/0ea7kKW9urApKz2E5MIgPW

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