Quantas bandas podem ser citadas como a banda que criou, ou pelo menos nomeou, um gênero inteiro do metal? Bom, o Venom é uma delas. O grupo de Newcastle, foi responsável por nomear e criar o “template” do que hoje chamamos de “Black Metal“, com seu disco homonimo de 1981. Nos últimos 45 anos porém, muita coisa mudou, inclusive quase toda a formação do Venom, e sua separação em 2 bandas, Venom e Venom Inc, mas estamos aqui para falar da banda “oficial” liderada por Conrad “Cronos” Lant.
Lançado no dia 01/05/2026, Into the Oblivion é o 17º disco de estúdio do Venom, e posso dizer que soa como Venom, guitarras pesadas, vocais demoniacos, um som de contrabaixo esmagador e uma produção meio crua, que se soava meio pobre nos anos 2000, soa incrivelmente orgânica e ouso dizer atraente em tempos de IA e discos hiperproduzidos.
O álbum começa com a faixa-título, que serve de tapete vermelho para o que vem pela frente, um som de guitarra distorcido e cru, um som de bateria mais orgânico, e o baixo distorcido marcando junto com os bumbos. Um refrão simples e que mostra como e porque o Venom foi influência para bandas como Metallica e Exodus, rápida e direta ao ponto, Into the Oblivion fazem seus 4 minutos passarem rápido.
Lay Down Your Soul não perde tempo, e com um excelente refrão e um riff simples, é daquelas músicas que vai causar muitas rodas nos shows, com toda certeza, com um solo interessante, com tapping e alavancadas ferozes em cima de um riff mais cadenciado, essa é uma das faixas para voltar e ouvir mais vezes, por ter mais camadas do que parece.
Uma faixa um pouco mais cadenciada, devido ao riff com cavalgada, Nevermore é o primeiro respiro, se é que podemos chamar assim, de um disco que não tem muitos espaços vazios. Aqui temos os bumbos de Danny Neeham funcionando em perfeita sinergia com o contrabaixo agressivo de Cronos. E uma linha vocal que usa da referência a Edgar Allan Poe, para beirar com a estética gótica, no estilo do Venom, obviamente.
Uma pedrada de thrash metal, assim podemos descrever Man & Beast, que poderia estar em Bonded by Blood (Exodus) ou The Legacy (Testament). Um som de guitarra pesado e um refrão fácil que com certeza vai fazer muitos headbangers gritarem com os punhos pro alto: “man and beast!“, a faixa inclui o melhor solo de guitarra do disco, na minha opinião, e seja talvez a melhor música do álbum? Forte candidata, com certeza.
Death The Leveller é daquelas músicas que ao ouvir a primeira vez, você fica com a impressão de já ter ouvido várias outras vezes, por várias outras bandas, mas precisamos sempre lembrar, que o Venom é uma das bandas seminais e que influenciou bandas como Municipal Waste e Overkill, e dá para ouvir claramente nessa faixa, a influência de Lemmy e Motorhead, no som do Venom.
As Above So Below tem uma longa intro, um pouco mais arrastada que outras músicas do álbum, porém a faixa contém também um dos melhores riffs do discos. Com a pegada satânica de sempre, a faixa é uma aula de cadência e como misturar grooves double-time e half-time de forma coesa. Com partes mais rápidas que com certeza farão muita gente bater cabeça por aí, acredito que muitos irão considerar como o ponto alto do disco.
Single de trabalho, Kicked Outta Hell, tem um riff matador, uma levada rápida e agressiva e uma letra que mostra que até o Venom é capaz de rir de si mesmo, afinal, quantas bandas teriam o auto-conhecimento de fazer uma música sobre o vocalista ser chutado para fora do inferno por incomodar demais Satanás? É isso que temos aqui, e um dos melhores momentos de contrabaixo do disco, com o rápido mas memorável interlúdio depois do solo.
Legend é um dos momentos mais “arrastados” do disco, com uma levada de bateria que usa os tons como condução e um andamento menos corrido que outras faixas, é uma música direta, com um riff que remete a outras sonoridades de thrash, talvez flertando com um som meio Slayer em alguns momentos. Pode ser que alguns fãs a considerem filler, eu digo que ela serve como conexão entre as 2 metades do disco.
Live Loud é daquelas músicas que se fossem de 1985 e talvez gravada por uma banda mais “festeira” seria hino e “pedrada” hoje em qualquer lista de headbanger, mas foi escrita por uma banda satânica em 2026, então, passaria perdido, mas é um dos momentos altos do disco, rápida, pra cima, dificil é manter a cabeça parada.
Metal Bloody Metal, só o titulo já descreve a faixa. Riffs cavalgados, melodia entre os acordes, e um refrão que com certeza será cantado a plenos pulmões em qualquer show que for tocada. Temperada com um excelente riff de guitarra, é uma excelente prova que só o que precisamos é metal.
Dogs of War é a faixa mais curta do disco, com apenas 2 minutos e 3 segundos. E é tempo mais que suficiente para deixar a mensagem extremamente atual que a guerra é decidida por quem não participa dela, com um riff pesado e reto, é uma música que não faz hora extra.
Deathwitch tem uma dissonância interessante entre o riff de guitarra e a linha de bateria, mantendo uma tensão que serve bem a temática da música, cuja letra é que uma coleção de palavras sem muita conexão entre elas. Na minha opinião, é um dos momentos fracos do disco, e apesar de conseguir ver que essa música geraria roda em shows, não consigo tirar a palavra “filler” da cabeça.
Fechando o disco Unholy Mother tem o único momento de guitarras não distorcidas do disco, usados em conjunto com o timbre normal distorcido. E com um solo mais virtuoso e longo, é uma das faixas mais interessantes, quase experimental em vários momentos. Foi uma excelente escolha da banda, que essa seja a música que ficará no paladar do ouvinte após a audição do álbum.
Como o leitor com certeza reparou, eu fiz menção a várias bandas de thrash durante o review desse disco, e isso poderia indicar que Into the Oblivion é um disco que peca no excesso de clichês e talvez falta de originalidade, porém, estamos falando de um dos pilares que moldou o gênero, e seus adjacentes e nomeou uma das vertentes mais extremas e polêmicas do metal, e no caso as referêncis é que são as cópias, no fim das contas, acho que Into The Oblivion foi um gol de placa do Venom, principalmente a primeira metade do disco, que funciona melhor que a segunda, e acredito que sobreviverá ao teste do tempo, permanecendo nas prateleiras e coleções dos headbangers.
