Ace Frehley – Obrigado.

Ace Frehley – Obrigado.

No dia 22 de julho de 2025, Ozzy Osbourne nos deixou. E apesar de eu ter sentido, como comentei com um amigo, acabei sentindo também uma certa “desconexão” com a “familia metal”, porque eu estava vendo todos postando histórias e memórias em relação ao Ozzy e sua música, e eu não tinha essa história, sempre fui fã de Ozzy e Sabbath, mas não posso dizer que ele mudou minha vida.

No dia 16 de outubro de 2025, outra lenda do rock n’ roll, Ace Frehley, nos deixou. E eu realmente senti, mais do que eu esperava, talvez, até porque eu posso dizer que de certa maneira, Ace Frehley mudou a minha vida.

Mas para essa história fazer sentido, precisamos voltar lá para 1994. Eu era jovem, e já gostava bastante de metal, principalmente, na época, Metallica e Iron Maiden o grunge ainda estava vivo e eu ouvia muito Soundgarden e Alice in Chains também, mas sempre procurando novas bandas para ouvir e conhecer. Um dia entrando em uma loja de cds vejo o Alive III na prateleira, pego o cd na mão, ainda lacrado, bato o olho no tracklist, percebo que não conheço muito de KISS, mas, discos ao vivo sempre são uma excelente porta de entrada para qualquer banda, então, comprei. Naquela época, comprar um CD era uma aposta alta, primeiro porque o dinheiro era curto, segundo porque comprar um CD sem saber exatamente o que tem ali dentro, é no minimo arriscado, mas fiz a aposta. Cheguei em casa, coloquei o CD no aparelho, abri o encarte e comecei a ouvir.
Posso dizer com certa facilidade que virei fã de KISS ainda nos primeiros acordes de Creatures of the Night, que é a primeira faixa do Alive III.

Minha cópia do Alive III, original dos anos 90. (Fonte: Arquivo Pessoal Metalnews).

Alguns meses se passam, e continuando minha busca por conhecer mais a banda, e por indicação de alguém, que honestamente, nem lembro quem, comprei o Double Platinum.
E ali, foi minha introdução a guitarra de Paul Daniel “Ace” Frehley. O disco é uma coletânea lançada no final dos anos 70, então todas as faixas são da época do Ace.
Eu pirei em algumas músicas ali, como o riff sensacional de Cold Gin, e a intro e solo de Rock Bottom. Mal sabia eu, que ambas eram composições de Frehley, assim como os solos de Black Diamond, Strutter e Calling Dr. Love.

Paralelamente a isso, eu estava engatinhando na minha jornada musical, foi mais ou menos nessa mesma época (por volta de 1996) que eu comecei a tocar guitarra embalado pela vontade de tocar Metallica e KISS. Coisas como o riff de Sad But True, e o já mencionado riff de Cold Gin foram o catalisador para eu querer colocar um instrumento no meu colo e passar horas e horas ouvindo e martelando cordas.

Mas, até então, Ace Frehley era só uma lembrança para os fãs de KISS, consumindo revistas da época, eu sabia que ele tinha saido da banda em 1982, e o guitarrista que eu havia ouvido primeiro, no Alive III, era o Bruce Kullick. Porém, em 1996, tudo mudou. O KISS gravou o disco acústico “MTV Unplugged“, e perto do final do show
Paul Stanley anuncia: “nós temos alguns membros da família presentes hoje, e não estou falando dos nossos pais ou mães, eu estou falando de Peter Criss e Ace Frehley“.
Para um adolescente que estava fascinado com KISS, foi um presente, a formação original: Paul, Gene, Peter e Ace, tocando juntos de novo, depois de mais de 1 década, e eu estava na idade certa para absorver isso. E a escolha de setlist não poderia ter sido melhor: Ace cantando 2.000 Man, Peter cantando Beth, numa linda versão, e todos juntos, incluindo Eric Singer e Bruce Kullick para Nothing to Lose, e claro, Rock n Roll All Nite. Na minha cabeça da época, aquilo era a coisa mais épica que poderia acontecer.

Minhas cópias do Unplugged e Double Platinum (Fonte: Arquivo Pessoal Metalnews)

Porém, eles foram além. E anunciaram uma turnê, com os 4 integrantes originais. Com as máscaras e as fantasias. Obviamente eu queria muito ver isso, mas eu era um adolescente de uma cidade pequena no sul do Brasil, qual seria a chance? Nenhuma, essa era a chance. Mas isso não me impediu de arrancar um anuncio da Marshall de uma página de uma edição da revista Cover Guitarra e colar na parede.

Fonte: Pinterest.

E assim, Ace Frehley foi se tornando meu professor de guitarra, incomodei meus pais até me comprarem um violão com cordas de aço, pq eu queria tocar as músicas do acústico do KISS. No 2o dia com o violão, baixei a afinação para Eb, e comecei a aprender. Comecei por 2.000 Man, afinal era a música do Ace. Aprendi Beth também e Sure Know Something. Sempre tentando imitar aquele cara, o tal do Spaceman.

E assim passou 1997, 1998.. e foi por volta dessa época, que ganhei de uma cunhada na época, minha cópia do Destroyer. E o Destroyer foi o primeiro disco na minha vida que eu aprendi a tocar inteiro, do inicio ao fim, todas as partes do Ace Frehley. Eu colocava minha guitarra Samick no pescoço, e me imaginando em um palco, tocava o CD inteiro, do inicio ao fim. Entre tirar partes do disco de ouvido e usando o antigo site kisstabs.net consegui aprender.

Minha Cópia do Destroyer (Fonte: Arquivo Pessoal Metalnews)

E ainda em 1998, algo mágico iria acontecer. O KISS lançou um disco novo, gravado com a formação original, Psycho Circus. Eu, e meus amigos de banda, imediatamente colocamos a faixa-título no nosso repertório, e apesar de fazer quase 30 anos, eu acabei de pegar uma guitarra, e provei pra mim mesmo que ainda sei tocar o riff do refrão. Nostalgia pura.

Minha Cópia do Psycho Circus (Fonte: Arquivo Pessoal Metalnews)

E finalmente chegamos ao ápice de toda essa história, o dia 15 de Abril de 1999. O jovem aqui, acordou as 5 da manhã, pintou a cara com tinta branca e cinza e foi para a fila no Jóquei Clube de Porto Alegre, o motivo? A turnê Psycho Circus foi até ele. Os 4 integrantes originais do KISS, Paul, Gene, Peter e Ace,
na cidade do sul do Brasil, e eu, com 16 anos de idade, pronto para ter o meu batismo de fogo, literalmente, já que a abertura ficou a cargo do Rammstein, em shows internacionais. E foi tudo o que eu queria, e ainda mais. Teve Paul no teleférico para Love Gun, teve Gene babando sangue acima do palco em God of Thunder, teve Black Diamond com a bateria elevada, e teve o solo de Ace, antes de Shock Me, com a guitarra que atirava foguetes e saia levitando. Eu estava levitando junto.
Essa memória, arrepio só de lembrar.

Meu quadro de ingressos, com o óculos 3D da turnê do Psycho Circus na parte inferior esquerda, e o ingresso da turnê de 2012 na parte superior esquerda.

Para quem me conhece, e me conheceu nessa época, sabe que o KISS foi a trilha sonora de boa parte da minha adolescência e inicio da vida adulta, eu era solteiro, queria festejar, e músicas como Shout it Out Loud e Rock and Roll All Nite me representavam, toquei muito KISS em minhas várias bandas covers, e tocar os solos do Ace é SEMPRE divertido. Ele pode não ser ter sido o guitarrista mais técnico, ele pode não ter sido um virtuoso como outros, mas ele foi uma inspiração e um dos meus únicos professores de guitarra, porque se até hoje nunca tive uma aula formal de música, minha escola foi o Destroyer, o Unplugged, o Psycho Circus,
além claro, de outras bandas e discos, mas essas outras referências, a gente pode deixar para outros dias.

Eu me formei no Segundo Grau, ao som de KISS, mais especificamente, o refrão de Rock and Roll All Nite, na versão do Greatest Hits. E ainda teria outras hisórias e lembranças para contar aqui.. mas acho que não tem necessidade.

O que eu quero dizer é, eu entendo vocês, fãs do Ozzy, e sempre estaremos juntos nessa grande família que é o metal.

E ao Spaceman, só tenho 2 coisas a dizer: Obrigado por tudo e Descanse em Paz.

Minha cópia do disco solo Ace Frehley e uma palheta usada pelo Ace na Farewell Tour.

RIP – Paul Daniel Frehley.

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