Megadeth – Review – Primeiras Impressões
Fonte: instagram @megadeth

Megadeth – Review – Primeiras Impressões

Ontem a noite, tive a oportunidade de ouvir, no cinema, em primeira mão, o novo album do Megadeth,
entitulado apenas “Megadeth“, o disco encerra a carreira da banda de Mustaine e companhia.
O filme, chamado “Megadeth: Behind the Mask“, intercalou as músicas do disco novo com uma entrevista com o Mustaine.

Sobre o disco: No geral, soa como um disco do Megadeth, e um bom disco do Megadeth. Se alguém me dissese que a faixa de abertura “Tipping Point” foi gravada em 2015 para o Dystopia, eu acreditaria 100%, a faixa soa como Megadeth moderno, e não ficaria fora de lugar em discos como o Dystopia ou “The Sick, the dying and the dead“.

A partir da faixa 2, a coisa muda um pouco, e “I don’t care” é claramente uma homenagem a origem punk dos primórdios do thrash metal, Mustaine disse, sobre a faixa que a ideia da banda era fazer um cover de alguma música punk, mas acabaram escrevendo essa faixa no lugar.

Hey God” foi mostrada com um video bem satírico, claramente um ataque as religiões organizadas, mas sem deixar de lado o lado cristão de Mustaine, que inclusive foi mencionado na entrevista, segundo o líder da banda: “é importante deixar a comunidade do metal saber que não tem problema acreditar em Deus”, mas fez questão de ressaltar: “assim como não tem problema nenhum se você não acreditar”.

Let there be shred” segue o tom do album e é uma música mais simples e direta, com solos rápidos e intercalados com vocais, bons riffs de thrash, e a letra cita os primeiros passos de Mustaine como guitarrista, aprendendo a tocar e querendo ser um solista virtuoso.

Citada por Mustaine como uma das músicas mais dificeis de ter composto para o disco, e basicamente um “filho bastardo” de “Angry Again” e “Symphony of Destruction“, “Puppet Parade” é uma música pesada, mas que fora alguns poucos momentos, eu não vejo essa relação com as outras 2 músicas citadas pelo autor. Talvez seja um caso de inspiração velada? Ou talvez eu precise ouvir mais vezes.

Provavelmente minha música favorita do novo disco até agora, “Another Bad Day” tem uma letra direta, riffs que soam como thrash clássico e um solo bem legal. Uma música divertida e excelente para bater cabeça por ai. Poderia até ser mais longa, mas o disco todo parece ter sido editado para ser propositalmente curto e direto.

Made to Kill” inicia uma trilogia no final do disco, juntamente com “Obey the Call” e “I am war“, temos aqui Mustaine do jeito clássico, citando guerras, autoritarismo e política. E se dessa vez, a parte politica não está tão abertamente clara como em Dystopia, é importante lembrar que o Mustaine sempre foi um cara politizado e muitas vezes disruptivo por conta disso. “Obey the Call” é um bom mais cadenciada, me lembrou momentos como “Foreclose to a Dream” e tem uma inspiração da formação clássica com Ellefson, Friedman e Menza. E em termos de andamento e riffs, “I am war” ficaria no meio entre o groove de “Obey the Call” e o thrash mais direto the “Made to Kill“, mas consigo ver as 3 faixas funcionando como uma só, principalmente ao vivo.

Então chegamos a música mais comprida do disco, “The Last Note” é única faixa com mais de 5 minutos, e possui uma longa introdução e outro acústicos, o único momento acústico do disco, a letra fala claramente: “and now it’s time for me, to say the long goodbye” (agora é a hora para eu dar o longo adeus, em tradução livre), “raised by chaos, fed by the crowd” (criado pelo caos, alimentado pelos fãs), “guitar got heavy, time to lay it down” (a guitarra está pesando nos ombros, é hora de guardá-la) e “if i ever play again, then let this last note never die” (se eu algum dia tocar de novo, então deixe essa última nota nunca morrer). Ao final dessa música, ouvi no cinema que as pessoas estavam claramente emocionadas. Muitos entenderam que depois de 40 anos, o Megadeth realmente está pendurando as guitarras e sai dos palcos, para entrar para a história do heavy metal. Mustaine teve uma vida complicada, lutou contra alcoolismo, venceu um cancer, foi lider e dono de uma banda que por vezes parecia uma porta giratória de músicos, mas ninguém pode negar que foi o estilo agressivo e por vezes caótico de Dave, um dos principais responsáveis por criar o gênero que hoje conhecemos como thrash metal, e por isso acho extremamente necessário dizer: “Obrigado, MegaDave!“.

E como o próprio Mustaine diz na entrevista: “depois de tantos anos pegando e pegando, acho que é hora de devolver algo para os fãs”, ao que a imagem foi cortada para os primeiros acordes de “Ride the Lightning“, ao que o público no cinema foi a loucura. Sim, temos Dave Mustaine gravando um cover do clássico do Metallica, não vou entrar aqui na história entre as 2 partes, muito já foi escrito e discutido ao longo dos últimos 40 anos. Porém é importante notar, que se você pegar seu cd do Metallica, verá que Ride the Lightning foi co-escrita por Hetfield/Mustaine/Ulrich/Burton. E aqui ela segue exatamente o arranjo gravado em 1984 pelo Metallica, inclusive os solos. A versão original do riff, que o Metallica simplificou, não foi usada aqui. Como faixa bônus de um disco de despedida, o fato da última música do último disco do Megadeth ser a última música que ele co-escreveu com seus ex-colegas de banda, é poético e perfeito.

Num todo, minha opinião do disco, é que a produção é boa, os timbres estão excelentes, as músicas estão curtas e diretas com foco no riff, e não no virtuosismo, o que pega um pouco é que claramente o Teemu Mantyssaari foi subutilizado nesse disco, e talvez por isso, o Dave esteja falando tão bem dele nas entrevistas, para compensar a falta de espaço no disco, porque quem acompanha o trabalho no Wintersun, sabe que o virtuoso que o Teemu é.

E no fim, Dave encerra o Megadeth, como ele sempre foi, a sua banda, e do seu jeito, gostem os fãs ou não, mas acho que dessa vez, os fãs irão gostar.

Megadeth” já está disponível nas principais plataformas digitais:

Comments

No comments yet. Why don’t you start the discussion?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *