Neste último domingo dia 23/11, pontualmente as 17hrs, as portas do Carioca Club, tradicional casa de shows no bairro Pinheiros em São Paulo capital, abriu as portas para um pequeno número de pessoas que aguardavam para entrar para assistir a 3 shows de bandas internacionais de metal: Atrocity, Arkona e Leaves’ Eyes eram as atrações do dia.

Quem abriu a noite foram os alemães do Atrocity, mostrando músicas de sua trilogia Okkvlt, a banda liderada por Alexander Krull nos vocais começou a noite já em alta velocidade, com Desecration of God. Não demorou muito para que o simpático vocalista ganhasse o público, falando sobre diversidade, e agradecendo a todos os presentes, Alexander repetiu várias vezes que estava muito contente de estar ali e por todos que estavam prestigiando o show. Baseado principalmente no disco Okkvlt III, o repertório contou com faixas como Fire Ignites e Spell of Blood, mostrando um excelente trabalho de guitarras de Florian Ewert e Luc Gebhardt, assim como as levadas de bumbo duplo de Simon Skrlec que foram o motor de todas as músicas que o Atrocity tocou nessa noite. Tocando com um click, e sem contagem inicial, o Atrocity foi a banda mais “orgânica” da noite, mesmo com a ausência de um baixista no palco, apesar de Andre Nasso ainda ser oficialmente o responsável pelas 4 cordas. Foi rápido e brutal, mas durante aproximadamente 1hr, o Carioca Club bateu cabeça ao som do ocultismo do Atrocity.




Após um rápido intervalo, uma trilha tocando música instrumental folclórica russa começava a ecoar pelas caixas de som, e a imagem do disco Kob’ de 2023 estava estática nos telões, essa foi a deixa para que o Arkona subisse ao palco para mostrar seu folk-metal russo com influências de stoner/doom. A energia da vocalista Maria Arkhipova ganhou o público de imediato quase em contraste com a imagem inicial, todos os membros vestindo mantos cinzas, lembrando monges. Com poucas interações com o público, a banda usou tempo no palco para mostrar principamente as músicas do último trabalho, o já citado Kob’, que compôs praticamente metade do setlist, porém o ponto alto da noite em termos de animação foi “Goi, Rode, Goi” do disco de mesmo nome. O público respondeu a essa canção de maneira muito animada, criando-se rodas de danças russa e todo mundo pulando. O ponto negativo do show do Arkona, porém, é o uso excessivo de trilhas e backing tracks. Composto no palco por Sergei Atrashkevich (guitarras), Ruslan Rosomaherov (baixo) e Alexander Smirnov (bateria), todas as partes tocadas nos instrumentos tradicionais russos foram trilhas pré-gravadas, porém, o excesso de vocais e até solo de guitarra (!!!) nas trilhas tirou, na minha opinião, o brilho da performance do Arkona, que empolgou o público presente.



Então, foi a vez do Leaves’ Eyes fechar a noite. A banda de metal sinfônico que é composta pelos 4 membros do Atrocity mais a vocalista Elina Siirala (ex-Angel Nation) veio ao Brasil para mostrar seu último disco Myths of Fate, que continua a incursão da banda em temas históricos. Também contando com o uso excessivo de trilhas, para as partes orquestradas, a apresentação do Leaves’ Eyes é fundamentada pela potência vocal de Elina e pelo carisma de Krull. A banda, tão a vontade nesse repertório quanto no death metal do Atrocity passeia com tranquilidade pelos 2 gêneros, inclusive fazendo as 2 apresentações na mesma afinação, pois os instrumentistas usaram o mesmo equipamento.
Com momentos épicos como Edge of Steel, Realm of Dark Waves e Swords in Rock, não foi dificil para o Leaves’ Eyes levantar o público e mostrar a que veio. Nesse estilo, porém, a ausência de um baixista foi mais sentida, assim como o uso de trilhas de teclados/orquestra. A banda, porém, muito entrosada e com boa quimica, soube contornar esses não-problemas e fecharam com chave de ouro uma noite de metal e diversão, uma verdadeira “festa viking” como a banda gosta de chamar seus shows.



Todas as fotos da matéria: Juliano F. / Metalnews

