O amanhecer de uma era – Arch Enemy no Bangers 2026
Créditos: Divulgação/Patrício Ullaeus

O amanhecer de uma era – Arch Enemy no Bangers 2026

O banner que escondia o palco Hot já dava o tom do que seria a apresentação do Arch Enemy no Bangers Open Air 2026: “pure fucking metal” (“metal puro pra c…” em tradução livre). E ao abrir o show com “Yesterday is dead and gone” (“O ontem está morto e enterrado”), a banda sueca não perdeu tempo em mostrar ao público brasileiro que está mais viva que nunca e olhando para frente.

Ao final da primeira música, ouvi alguém da platéia gritar: “isso que é metal, porra! agora sim“, e acho que dá para definir a primeira parte do show como “rolo compressor“, o som estava alto, a bateria castigava o peito dos fãs, e as guitarras estavam altas, sujas e distorcidas como devem ser para um show de death metal, músicas rápidas, moshes e sem tempo para respirar, parte do público com certeza foi pego de surpresa.

Bastaram 3 músicas, a já citada, “The World is Yours” e “Ravenous” para que a nova vocalista, Lauren Hart, ganhasse o coração dos brasileiros, que começaram os cantos de “Lauren, Lauren”, que deixou a norte americana, que está fazendo sua primeira turnê com a banda, emocionada. Em um dos momentos mais bonitos do dia, ela deixou a postura agressiva de lado, e mostrou seu lado humano, às lágrimas, ela agradeceu o carinho do público brasileiro, e disse que aguardava muito vir ao Brasil, e que o público fez jus a todo o hype que ela tinha ouvido falar: “desde que comecei a fazer música, sempre ouvi falar muito bem dos fãs brasileiros e dos shows aqui, é minha primeira vez aqui e é um sonho realizado, vocês fazem jus ao hype, vocês são f… para c…“.

O público respondeu com um coro de “Olê, Olê, Olê, Lauren, Lauren”, que a deixou completamente sem graça, após um abraço do guitarrista e fundador Michael Amott, e alguns segundos para se recompor, era hora de mais “pure fucking metal”.

Na sequencia a nova música da banda “To the Last Breath“, que eu estava na dúvida se o público iria conhecer, mas fomos muitos cantando a música e o refrão junto com a banda, o público está junto com a banda nessa nova fase, com certeza.

Sem deixar de lado nenhuma fase da história da banda de lado, o próximo bloco do setlist contemplou todas as vocalistas anteriores, “Bloody Dynasty“, originalmente na voz de Alissa White-Gluz, “My Apocalypse“, que foi gravada pela Angela Gossow e a primeira música escrita por Michael para a banda: “Bury Me an Angel“, de 1996 e gravada originalmente pelo co-fundador Johan Liiva, sim, o Arch Enemy começou com um vocal masculino, alguém lembra? Assim tivemos um sequência de quatro músicas que representaram as quatro vozes da banda.

Acho que precisamos falar também sobre os timbres de guitarra, uma das poucas bandas do festival que utilizou amplificadores e caixas 4×12 com microfones, as guitarras de Amott e seu parceiro de seis cordas Joey Conception, produziram uma massa sonora que amassou os fãs presentes no Bangers Open Air. Seguindo a tendência atual de não ficar trocando de instrumento a cada música, não posso deixar de citar a bonita flying v espelhada de Amott, responsável por vários solos, mas dando bastante espaço para Conception mostrar também seu talento e virtuosismo.

Vale também ressaltar, de todos os shows que eu assisti no sábado, o Arch Enemy foi o único a usar pirotecnica, com 6 colunas de fogo (3 de cada lado do palco) iluminando e aumentando ainda mais a intensidade da apresentação.

Com o público e banda completamente entregues um ao outro, Lauren anunciou: “vamos tocar uma música que vocês não conhecem e nunca ouviram”, e então a banda fechou a noite com “Nemesis“, e seu refrão extremamente pegajoso e que representa bem o que foi a noite: “one for all, all for one, we are strong, we are one” (um por todos, todos por um, nós somos fortes, nós somos um), foi o momento de acabar com a garganta, e não deixar nada dentro do palco ou fora dele.

Escalado para ser o headliner depois do cancelamento do Twisted Sister, por problemas de saúde do vocalista Dee Snider, vi muitos fãs se perguntando na internet, se o Arch Enemy seria um nome grande o suficiente pra ser o headliner da noite, principalmente considerando que quando foi anunciado, a banda estava oficialmente sem vocalista, o que vimos porém, foi um timing perfeito, pois a banda mostrou a precisão, peso, violência e qualidade de sempre, e podemos dizer que foi aqui no Brasil que o Arch Enemy iniciou sua nova fase, Lauren Hart já ganhou os fãs brasileiros, e os suecos mostraram porque foram chamados para serem os headliners do dia. Foi um show para deixar claro em (bem) alto e bom som: o Arch Enemy ainda tem muito chão pela frente. Seja bem-vinda Lauren, e volte sempre, estaremos esperando.

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