Foto do Bangers Open Air com o Angra no palco e foto do Andre Mattos no telão
Angra Reunion homenageando André Mattos - Foto por Bruno Antonucci

Angra Reunion foi bem mais que uma celebração, foi uma ode ao heavy metal.

Texto por Bruno Antonucci, revisão por Nathasha Ferreira

Dizer que o show do Angra no domingo, 26/04, do Bangers Open Air 2026 seria bom chega a ser reiterar o óbvio. Em todos os shows do Angra que fui só a excelência era entregue. Mas nada me preparou para o que eu vivi neste Bangers.

Do anúncio até o festival, o que mais se teve foram especulações de como seria o show, que músicas seriam tocadas, quem cantaria o que e como seria encerrado o ciclo de Fabio Lione no Angra. Existem diversos cenários na cabeça de cada fã ou jornalista em como seria uma noite perfeita.

Eu não estava esperando o que viria.

Fui nos dois dias de festival, enfrentei fila, o sol a pino, o cansaço bateu em diversos momentos mas o que me motivava era saber que eu estava vivendo momentos que me fariam sorrir no futuro. Seja por conta do Angra ou de todas as bandas que queria ver e estava conhecendo, mas esse papo é para outro momento.


O show do Angra começou imediatamente após o fim de Within Temptation, com uma sequência de imagens que vão desde a primeira formação e álbum da banda até os dias atuais. A formação atual sobe no palco ovacionada e aos primeiros acordes de “Nothing to Say” era possível já ter ideia do que viria.

Se alguém tinha alguma dúvida sobre como Alirio Netto seria como o novo vocalista do Angra, essa dúvida desapareceu imediatamente. Seguro, focado e emocionado, o novo membro do time domina o palco e o público sabendo a força do legado que carrega. Em seu agradecimento ao público e à banda, Alirio lembra que eles precisam dos fãs para que eles possam “carry on” essa história juntos.

A primeira música (de um total de quatro) da despedida de Fabio Lione foi “Tide of Changes” – que, convenhamos, temos que tirar o chapéu pela escolha. Ovacionado pelo público, Fabio ficou visivelmente emocionado com o carinho que recebeu do público. Porém, o Mago merecia ter mais espaço neste show. Sem saber como o setlist foi decidido não se tem ideia do porquê desta decisão, o que deixa um gosto amargo de quem (como eu) queria ouvir mais do tenor italiano.

Na segunda parte do show, a formação Nova Era entrou em cena. Edu Falaschi, Kiko Loureiro e Aquiles Priester subiram ao palco para representar um dos maiores momentos da história do Angra. 

Na última vez que eu ouvi o Edu cantar, vi que o palco e o som do local era pequenos demais para ele. Neste Bangers Open Air tive a certeza que ele merece os maiores palcos do mundo. Falaschi pode não ter mais a potência vocal que o consagrou, por conta dos problemas médicos que teve, mas isso não fez diferença para mostrar o quão talentoso é. 

Ver Edu Falaschi e Rafael Bittencourt juntos no palco foi emocionante. Ver essa reaproximação após anos de afastamento e problemas nos dá esperança sobre o que mais eles podem fazer juntos.

Em certo momento, Rafael fez questão de agradecer as pessoas envolvidas na realização dessa reunião, desde organizadores do festival, produção, músicos e técnicos de som. Lembrando que não era só uma conquista para o Angra mas para o heavy metal brasileiro, que aquele momento deixaria a cena mais forte.

E foi após a música “Rebirth” e encerramento da segunda parte que o público veio abaixo.


No palco, um piano iluminado e a voz gravada de André Matos surge cantando “Silence and Distance”. Enquanto escrevo e lembro do momento, me arrepio só de pensar na cena. Não tive a oportunidade de ver o maestro no palco, e é um dos meus maiores arrependimentos como amante da música, então acredito que para o fã mais antigo e que teve esse privilégio aquilo deve ter sido um momento absurdamente único.

Angra no palco com Edu Falaschi e Alirio Netto homenageando André Matos – Foto por Bruno Antonucci

Alirio e Edu subiram para cantar juntos nesse momento e  logo depois começou “Late Redemption”, que foi onde este que vos escreve foi para outra realidade. A música faz parte da minha vida por conta do meu pai, Marcio “Vip” Antonucci, que era da Jovem Guarda e sempre me disse como a música mexe com os sentimentos e nos transporta para outros lugares, momentos e lembranças. E minha conexão com o Angra tem sido tão forte que naquele momento eu sentia que estava tirando algo do meu peito e jogando pro universo.

O show terminou com “Carry On”, como tinha que ser. Todos no palco, todos emocionados e todos sabendo que fizeram história no heavy metal brasileiro e na vida de todos ali presentes. A emoção dominou o público, à minha volta era visível ver o quanto aquele momento foi importante para muita gente e que aquela experiência única jamais vai se repetir.

Obrigado Bangers Open Air.

Obrigado Angra.

Até o próximo show!

Comments

No comments yet. Why don’t you start the discussion?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *