Review: Evergrey – Architects of a New Weave
Fonte: evergrey.bandcamp.com

Review: Evergrey – Architects of a New Weave

Os suecos do Evergrey lançaram nessa sexta-feira 05/06, seu décimo quinto álbum de estúdio, “Architects of a New Weave” marca o início de uma nova fase da banda, sendo o primeiro disco com o novo guitarrista Stephen Platt, substituindo Henrik Danhage que saiu da banda no final do ano passado. Lançado pela Napalm Records e co-produzido pelo vocalista Tom Englund com Vikram Shankar, que já havia trabalhado com a banda em uma faixa do disco anterior Theories of Emptiness de 2024, e mixado por Adam “Nolly” Getgood (Periphery) o novo disco traz uma sonoridade parecida com a do seu antecessor, mostrando uma banda estabelecida e que sabe como quer soar.

E como é isso? É uma produção limpa, moderna, com guitarras de 7 cordas sendo usadas para criar texturas e paredes sonoras, a bateria com bumbos reforçados e uma caixa de afinação mais baixa, o Evergrey soa como uma banda moderna e revigorada.

Apesar de não ser um disco conceitual, eu percebi uma temática que parece estar presente em várias faixas, que fala sobre transformações e construir um amanhã melhor, através do power do indivíduo.

A faixa de abertura não é uma música, com pouco mais de 1 minuto “Welcome to the Pattern” funciona como introdução do disco e também da faixa 2, “The Shadow Self“, que tem um andamento mais cadenciado, um refrão pegajoso e um riff cavalgado intercalado com frases que mostram a mistura de power e prog pelo qual o Evergrey é conhecido.

A excelente faixa título: “Architects of a New Weave“, mostra o Evergrey em sua melhor forma, um refrão fácil de cantar, um riff gostoso de ouvir, um solo com passagens rápidas sem soar pretencioso, é uma das canções que simplesmente funcionam, tanto no disco quanto nos shows, e sabemos que o público do Evergrey abraçou essa canção, como vi em primeira mão no show do Bangers Open Air 2026.

The World is On Fire“, mostra alguns dos melhores riffs que o Englund escreveu nessa década, usando e abusando da guitarra de 7 cordas, que tem aparecido com cada vez mais frequência nos shows do Evergrey. Ela apresenta uma estrutura melódica bem interesante, culminando num refrão que cresce em intensidade para “morrer” em uma outro com um riff de breakdown.

Mais rápida e com uma pegada mais prog “Heaven“, é uma daquelas faixas que sabemos que vai funcionar ao vivo, para bater cabeça no riff e gritar junto. E talvez seja minha faixa favorita do disco.

The Script” começa um riff mais pesado e denso que tungstênio, e é uma das faixas que dá para ouvir o baixo de Johan Niemann segurando os graves e mandando no andamento da música. Permeada por paradas no groove e com teclados e pianos preenchendo os espaços, é uma faixa um pouco mais intima, que talvez na primeira audição não pareça memorável, mas com certeza aos poucos vai ganhando espaço e importância.

Uma faixa mais “reta”, se podemos chamar assim, “Leaving the Emptiness” possui alguns solos de guitarra em harmonias que por momentos chegam a lembrar o Iron Maiden, e acaba sendo um dos momentos mais legais do disco, mas num geral, acho que a faixa se estende um pouco mais do que o ideal, com quase 5 minutos, poderia ter sido editada para ser uma faixa de 4 minutos sem perder qualidade.

Uma balada, ou pelo menos uma power ballad por longos momentos, “Longing” é uma daquelas faixas que funcionam melhor num disco do que ao vivo e apesar do breakdown ser bem divertido, soa um pouco mais como filler do que como faixa essencial. No contexto do disco funciona e não recomendo pular, mas não é o tipo de faixa para se incluir em playlists e coletâneas, na minha opinião.

A Burning Flame” possivelmente passaria despercebida, se não fosse a participação de Mikael Stanne (vocalista do Dark Tranquility / Ex-Hammerfall / Ex-In Flames), que eleva a música a algo que paramos para ouvir com mais atenção, e no fim, o dueto entre Stanne e Englund funciona muito bem.

Com uma pegada mais prog, “Call Off Your Lions“, é a faixa mais longa do disco, com quase 6 minutos, e para mim, soa como Evergrey clássico, bons riffs, refrão fácil de aprender e cantar, mas sem soar reto ou previsivel.

Com levadas de bumbo duplos e guitarras sincronizadas, “Chains of Shame“, é uma canção cadenciada, com uma estrutura mais diversificada que inclui grooves de baixo sem guitarras, chama a atenção por não ter um solo de guitarra.

E para fechar o álbum, temos “The Prophecy“, que mostra o alcance e força dos vocais de Englund, principalmente cantando “solo” com acompanhamento apenas do piano.

No fim, Architects of a New Weave é uma excelente adição a discografia do Evergrey, e se para alguns pode soar meio repetitivo em alguns momentos, para os fãs da banda, soa como Evergrey, em sua essência, sendo guiados por Englund por momentos e emoções num jornada otimista sobre transformação e sobre o futuro. O que pode não ser comum para o metal, mas é uma perspectiva muito bem vinda.

Fonte: evergrey.bandcamp.com
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