Na última sexta-feira, dia 20 de março, o Exodus lançou “Goliath”, o 13º disco de estúdio dos californianos e que marca a volta de Rob Dukes ao vocais da banda. Uma reunião aguardada por muitos fãs por tratar-se da mesma formação responsável pelos excelentes “Exhibit A” e “Exhibit B“, “Goliath” é um disco que com uma hype grande em cima, mas será que vai correponder a todas as expectativas?
A missão de Gary Holt e companhia não é fácil, pois depois de 2 discos com o vocalista Steve “Zetro” Sousa, que foram bem recebidos pelos fãs e crítica, com momentos como o re-encontro com Kirk Hammett (Metallica e um dos fundadores da banda antes de se juntar a Hetfield e Ulrich) em Blood In, Blood out, os fãs não esperam menos do que um disco composto de pedrada atrás de pedrada.
“Goliath” abre com 3111, que não consigo classificar como mais do que “genérica”, a música não é ruim, mas não tem o impacto necessário para abrir um disco do Exodus. Os vocais de Dukes tomam a frente, mas não são suficientes para carregar uma música que tem alguns riffs com turnarounds longos, e que mesmo depois de ouvir umas 10x, eu não consigo lembrar do riff ou refrão.
Hostis Humanis Generis é rápida e pesada, e soa como algo que poderia estar em Persona Non Grata, facilmente. Algumas das linhas de bateria, com viradas longas, setam o tom da música, mas em partes, as guitarras de Holt e Altus soam como uma massa sonora sem muita definação, e o efeito de distorção na voz no refrão, me pareceu um recurso barato. Bons riffs e idéias aqui, talvez tenha faltado um pouco de polimento.
Com a participação de Peter Tägtgren (Hypocrisy), The Changing Me é bem legal, mas com uma intro de mais de um minuto e meio, parece que se arrasta mais do que é necessário, porém os riffs são bem legais, e em alguns momentos flerta com melodias e sonoridas mais puxadas para o black metal, o que é bem interessante.
Promise You This soa como se o Exodus tivesse pego um riff do Metallica, da época do Death Magnetic, e usado como ponto de partida, o que me mostra o quão melhor o Death Magnetic poderia ser, mas também o quanto “corrido”, esse novo disco do me soa, em termos de composição. O riff com hammer-ons, na minha opinião, não funciona tão bem para ser usado tantas vezes na música.
A faixa-título Goliath, contém participação da violinista Katie Jacoby (Oasis, The Who, entre outros), e acho que isso já diz muito sobre a direção que a banda quer levar o som do Exodus. A música soa épica, e como se tivesse sido escrita para talvez algum novo jogo de Doom ou similar. Elementos orquestrais e andamento mais lento, para a banda que um dia teve orgulho de anúnciar: “Four Albums e no Fucking Ballads“, não consigo não pensar no que Paul Ballof diria. Num geral, a música é ruim? Não, mas é daqueles experimentos que talvez não precisassem ser feitos no Exodus.
Beyond the Event Horizon, é um dos pontos altos do disco, na minha opinião, mesmo tendo uma seção longa em half-time, soa rápida e é a perfeita contradição a Goliath. Tem alguns bons momentos. Como o solo no fim da parte half-time.
Com quase 5 minutos, 2 Minutes Hate é uma música que como o título sugere é direta e não perde tempo enrolando. Chega, diz o que tem que dizer, e não fica tempo demais. Provavelmente a faixa que mais vai agradar os fãs antigos da banda.
Exodus pode ter groove? Violence Works mostra que sim. As guitarras de Holt/Altus e a bateria de Tom Hunting andam lado a lado nessa música, recheada de riffs que remetem a Pantera e até Extreme. Daquelas faixas experimentais que com certeza não será recebida com reações amenas, imagino que os fãs vão ou amar ou odiar essa incursão grooveira pelo thrash metal. Pessoalmente imagino que o refrão com “Violence Works!” bem gritado, irá funcionar bem ao vivo.
Com quase 8 minutos de duração Summon of the God Unknown é a faixa mais comprida do disco, é uma faixa bem interessante, passa por momentos de diferentes dinâmicas, e mostra uma versalidade que nem sempre vemos na banda. Bons solos, alguns riffs bem interessantes e várias momentos marcam essa faixa que funciona bem para também mostrar várias tessituras da voz de Dukes.
E para fechar o disco temos The Dirtiest of the Dozen, uma faixa tb direta e rápida, mas tal qual Promise you This, poderia ter pegado leve nos riffs com hammer-ons. E com momentos que soam quase classic rock, acredito que é daquelas faixas que vá funcionar bem ao vivo.
No fim das contas, acho que o Exodus acertou em errar ou errou ao acertar, claramente é um disco que vai dividir os fãs, os que esperavam outro Exhibit, vão achar que esse disco é uma continuação de Force of Habit. Enquanto outros fãs provavelmente vão descobrir novas músicas favorita no repeat. Na verdade é um disco que está no meio do caminho. Não é um clássico absoluto, não vai ficar na mesma prateleira de Bonded by Blood, mas também não vai ser rechaçado pelos fãs em massa, como Force of Habit. Acho que fica claro que Holt e seus companheiros fizeram o disco que queriam fazer, e talvez Goliath tenha que existir para servir de escada para o próximo passo na carreira do Exodus, afinal depois de mais de 45 anos de estrada, não dá para pedir que os caras fiquem requentando a mesma fórmula toda a vez. Se Goliath soou apressado, como se a banda tivesse corrido para escrever e lançar rápido, é um bom exercício pensar no que eles podem fazer com mais tempo no forno. Eles arriscaram, acertaram em alguns momentos, erraram em outros, e no fim, tá tudo certo.
Você pode ouvir Goliath no Spotify abaixo:
